A Sabedoria vem dos Invernos...

Os invernos são profundos, na imensidão do inconsciente me perco para encontrar-me em um lugar onde os sorrisos sejam mais frequentes. Toda tormenta passa arrastando a alma para caminhos tortos, mas essa mesma tormenta é como uma mãe que ensina seu filho sobre as dificuldades da vida. O inverno não é denso, nem pesado. Ele é frágil como um floco de neve caindo no domingo de manhã, tem um sabor limpo quando derretido na primavera.


... Ah como são belas as Nuvens
Que se espalham com uma ligeireza
Formando densas camadas de cores negras
E as Tempestades estão por vir
Hoje todas as memorias hão de despertar
Lembranças de uma era que ainda vive
Vilarejos, casas, camponeses...
Ah como me é demais familiar
Caminhos em uma trilha de um bosque
Névoa e assovios no ar
Quando as nuvens demoram a chegar
Ainda estou no caminho de casa.
Os sinos da igreja ao longo da estrada de pedra
O vestido acobreado borrado de lama
Os pés congelados e a respiração forçada
Os longos caminhos dos antepassados
As árvores que se formam em arco
E as pequenas flores singelas do que restou da primavera
Chegou o inverno cá em mim...

"A lua me lembra você. 
Tão bonita, tão brilhante e distante."




Enquanto estrelas caem dos meus olhos...



Isto é uma pausa, uma ausência e um desencontro. Há muitos motivos que eu poderia descrever para explicar minha ausência desta página, porém não convém deixar nessas linhas explicações tristes e sem magia, afinal não é esta proposta desse blog-diário. Não tenho certeza de que irei retomar minhas atualizações cá com certa frequência como antes, não me sinto bem para isso. Porém também não digo que este é um adeus ao Blog. Assim que minhas viagens cósmicas cessarem voltarei. Se você caro leitor que acompanha minhas entrelinhas, me desculpe por este colapso. Eu precisei partir...


A história não tem um lugar aqui, tem um lugar muito distante no momento.
Minha história está nas estrelas que caem.
Toda história tem um caminho
No caminho tem um buscar
Um buscar incessante por delicadezas.

  • Almas perdidas e doces
  • Bondades
  • Respirações roubadas
  • Abraços confortantes
  • Estrelas do céu
  • Planetas amistosos

Como já dizia em um escrito, somos mesmo porcelanas raras... frágeis...
Cuidem para não tropeçarem e não se racharem
Acautelem-se para não caírem, uma vez quando nos quebramos, a reconstrução deixa marcas...


Então cortinas brancas avançam sobre os olhos.
Traçando caminhos secretos.
Levando memórias sombrias.

Névoas se prendem à mim
Não me deixaram cair
Meu corpo permanece frio



Não tenha medo do cinza
Ele é tão misterioso
Sua presença é lenta
E vai-se devagar... 




Images: Samantha Heather

Pequena alma da solidão

Eu entendo quando pessoas deprimidas procuram uma reclusão. O silêncio me é favorável em muitos momentos. Meu coração é solitário por natureza, gosto de caminhar sozinha por lugares longe de movimentações, sejam caminhadas reais ou nos sonhos, sempre estou de alguma forma amparada pela solidão e pelo silêncio. E de toda forma não os considero ruins e desagradáveis, minha alma alegra-se quando a calmaria em uma noite no estilo Van Gogh é acessível aos meus olhos, para mim tudo é preenchido. Não preciso de muito. 

Sentada sozinha ao longo de uma estrada fechada de eucaliptos.
Respiração cansada de trafegar sobre trilhas mal feitas.
Cortes e arranhões pelos braços ocasionados por galhos e espinhos.
O suor que escorre
O pé dolorido
A vista turva
Cheiro de terra molhada
Céu nublado
E uma grande satisfação.

Em uma sexta-feira de manhã tudo por ser fantasia. Tem dias que ir de rumo a uma fuga da cidade {Fugere Urbem} é como regressar para uma casa no meio da mata. Observar da janela a chuva que cai leve e fraca pois entra em conflito com os raios ferozes do sol. As folhas balançam e os caules mudam de cor mais pastel para tons escuros, a terra também torna-se escura e as nuvens densas e carregadas se aproximam, eu não espero que elas se derramem em baldes acima dos meus olhos, elas mais parecem quererem se dissiparem para além.

Feche os olhos.
Sinos que badalam alertando o vento apressado e sorrateiramente adentra pelas brechas da porta.
Sou um fantasma não assustado que vagará até a próxima parada.
Pensando sobre os problemas de uma forma poética.

Nem tudo é traduzivel.
Alguns dizem que o que escrevo é estranho e confuso.
Eu os disse que escrevo para mim e estou fazendo isso agora.
Os sentimentos são iguais em nome mas nós sentimos de formas diferentes.
Pois vejo os dias como montanhas...
Se você tem histórias sobre lugares distantes, estou esperando que me conte...


#Fragmentos secretos 01

Quinze para seis da manhã...

"Pássaros e seus cânticos suaves
E o primeiro galo a cantar
Janela entreaberta
Nenhum feixe de luz
Céu azul, pálido e frio
Não dormi, não tive sonhos
Meus olhos pesam
Silêncio
Sinto um leve frescor
Uma brisa encontra-me
Percorrendo as pernas


À espera dos raios luminosos
O céu muda de cor
Abrirei a porta
Caminharei até o terraço
Tinta, aquarela e papéis sobre uma mesa
Rede vazia e estática
Nenhuma brisa
Calmaria
Aroma de magia
Tranquilidade é o nome da manhã"