
Pequena alma da solidão
Eu entendo quando pessoas deprimidas procuram uma reclusão. O silêncio me é favorável em muitos momentos. Meu coração é solitário por natureza, gosto de caminhar sozinha por lugares longe de movimentações, sejam caminhadas reais ou nos sonhos, sempre estou de alguma forma amparada pela solidão e pelo silêncio. E de toda forma não os considero ruins e desagradáveis, minha alma alegra-se quando a calmaria em uma noite no estilo Van Gogh é acessível aos meus olhos, para mim tudo é preenchido. Não preciso de muito.
Sentada sozinha ao longo de uma estrada fechada de eucaliptos.
Respiração cansada de trafegar sobre trilhas mal feitas.
Cortes e arranhões pelos braços ocasionados por galhos e espinhos.
O suor que escorre
O pé dolorido
A vista turva
Cheiro de terra molhada
Céu nublado
E uma grande satisfação.
Em uma sexta-feira de manhã tudo por ser fantasia. Tem dias que ir de rumo a uma fuga da cidade {Fugere Urbem} é como regressar para uma casa no meio da mata. Observar da janela a chuva que cai leve e fraca pois entra em conflito com os raios ferozes do sol. As folhas balançam e os caules mudam de cor mais pastel para tons escuros, a terra também torna-se escura e as nuvens densas e carregadas se aproximam, eu não espero que elas se derramem em baldes acima dos meus olhos, elas mais parecem quererem se dissiparem para além.
Feche os olhos.
Sinos que badalam alertando o vento apressado e sorrateiramente adentra pelas brechas da porta.
Sou um fantasma não assustado que vagará até a próxima parada.
Pensando sobre os problemas de uma forma poética.
Nem tudo é traduzivel.
Alguns dizem que o que escrevo é estranho e confuso.
Eu os disse que escrevo para mim e estou fazendo isso agora.
Os sentimentos são iguais em nome mas nós sentimos de formas diferentes.
Pois vejo os dias como montanhas...
Se você tem histórias sobre lugares distantes, estou esperando que me conte...

#Fragmentos secretos 01
Quinze para seis da manhã...
"Pássaros e seus cânticos suaves
E o primeiro galo a cantar
Janela entreaberta
Nenhum feixe de luz
Céu azul, pálido e frio
Não dormi, não tive sonhos
Meus olhos pesam
Silêncio
Sinto um leve frescor
Uma brisa encontra-me
Percorrendo as pernas
À espera dos raios luminosos
O céu muda de cor
Abrirei a porta
Caminharei até o terraço
Caminharei até o terraço
Tinta, aquarela e papéis sobre uma mesa
Rede vazia e estática
Nenhuma brisa
Calmaria
Aroma de magia
Tranquilidade é o nome da manhã"

Um sonho, um livro e as Baleias...
As férias finalmente chegaram... Aproveitando as mesmas para organizar minhas coleções, livros, decorações do quarto e meus milhões de diários... As vezes sou muito esquecida, por isso preciso de um diário para anotar sensações, momentos e detalhes que podem cair no esquecimento algum dia, afinal a vida hoje passa tão rápido que mal nos damos conta. Faço tantas anotações e há tantas agendas, cadernetas e folhas avulsas que me perco numa imensidão de lembranças. Estava lendo em um diário de sonhos sobre um lugar onde havia uma casa de madeira com pouca grama ao redor, uma chaminé e um lampião na entrada de uma janela pequena com vidros esfumaçados. Talvez eu estivesse morando naquele lugar em alguma dimensão distante.
Caminhei até chegar a beira do mar que roscava suas quebras de onda nos pés descalços. Um som longe surgia diante daquela imensidão azul, enquanto mais e mais sons se apresentavam em uma tarde de céu coberto com algumas nuvens e o sol muito tímido as escondidas por trás das montanhas. No mar avistava baleias que sopravam ao longe jorras de água pintando os céus com detalhes cristalinos. De repente me via no fundo do oceano flutuando precisamente como uma bailarina e várias baleias ao redor. Quando fecho os olhos e abro-os novamente me vejo retornar a beira da praia já coberta de estrelas. Nem sei se esse lugar realmente existe. Ao entrar em uma livraria esta semana deparei-me com um livro que me fez recordar deste sonho. Nem acreditei quando li a sinopse, foi como uma flechada na alma!
Para amantes de Baleias como eu:
O livro de Lynne Cox conta uma história real narrada pela autora que também é nadadora, sobre uma experiência quando nadava no oceano pacífico. Após um treino de mais de uma hora ela precisava sair da água para descansar, mas após minutos de pânico ela percebeu que um filhote de baleia a seguia. Se ela saísse da água o filhote a seguiria até a praia e morreria encalhado na areia. Esta é uma história de magia e mistério que aconteceu naquela madrugada. Gosto de leituras que me remetem a histórias reais e de preferência com algum tipo de ligação à natureza, aos animais e ao universo. Grayson é essa história!
É tão bom sentir que o mar te sente... na voz de uma de minhas cantoras favoritas.
" Hoje sonhei que estava no mar. Lembro-me que eu nadava em um mar de cor azul tão sereno... lembro-me de ouvir cantos de baleias, era uma sensação tão pura e tão magica que posso sentir o cheiro da maresia e o vento gelado soprar... Sair da água e sujar os pés na terra cor rosada. Hoje amo ouvir o canto de baleia antes de dormir... me faz lembrar o canto das sereias. " DIÁRIO DOS SONHOS

Em busca da grama roxa...
Oh, Deus, como eu desejava encontrar aquele lugar! Então, descobri a tragédia da vida deles. Durante todo o tempo eles haviam pisado sobre a mágica grama cor de púrpura... Imaginem! Todo o tempo naquele lugar mágico e nunca tinham baixado o olhar para constatar isso."
Raymond e Lily, estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa, no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos. Não seria maravilhoso olharmos para baixo e avistarmos grama roxa?
"Manter todas as fantasiosas ilusões, dançando na grama cor-de-púrpura da altura dos olhos, usando roupas feitas com nuvens (...) Saltaria, fazendo piruetas (...)"
O Jardim dos Esquecidos e Pétalas ao Vento

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