Em busca da grama roxa...




  "Eu lia devagar, procurando e demorando-me nas frases belas e bem redigidas, absorvendo a sensação da era vitoriana, em que as pessoas usavam roupas tão lindas, falavam de modo tão elegante e encaravam o amor de forma tão profunda. Desde o primeiro parágrafo, a estória nos cativara com seu encanto místico e romântico. Cada página tecia vagarosa e elaboradamente um complicado entrecho envolvendo dois enamorados chamados Lily e Raymond, que se viam obrigados a sobrepujar obstáculos monumentais para encontrarem e alcançarem o mágico lugar onde todos os sonhos se transformam em realidade.
Oh, Deus, como eu desejava encontrar aquele lugar! Então, descobri a tragédia da vida deles. Durante todo o tempo eles haviam pisado sobre a mágica grama cor de púrpura... Imaginem! Todo o tempo naquele lugar mágico e nunca tinham baixado o olhar para constatar isso."
Raymond e Lily, estavam sempre à procura do lugar mágico onde havia grama roxa, no qual poderiam satisfazer todos os seus desejos. Não seria maravilhoso olharmos para baixo e avistarmos grama roxa?
"Manter todas as fantasiosas ilusões, dançando na grama cor-de-púrpura da altura dos olhos, usando roupas feitas com nuvens (...) Saltaria, fazendo piruetas (...)"

O Jardim dos Esquecidos e Pétalas ao Vento

A qualidade de Cristal Frio

Eis que surge o alvorecer. Poucas pessoas sabem, mas quando o sol ainda não é vigilante sobre nós, as poéticas naturais se aproximam com mensagens de pura calmaria. Eis então o Acordar. É muito cedo, o relógio marca 5 horas, tal como despertara. Para tão logo o cedo da manhã, tão logo aspirar o bom ar com feixes de luz que são como cristais finos de gelo. Eles vão entrecortando nas brechas da janela que ainda está úmida por causa de uma leve chuva da madrugada. São pequenos e suaves raios que trazem consigo algumas mensagens. 

"Sentir o Universo é um trabalho interior."

Eis que despertei sonolenta e melancólica. Mas penso que o poeta tenha a permissão para ser melancólico, não que eu esteja enquadrada aos livros dos poetas, mas os aspiro com intensidade e os admiro com atenção. É hora de trabalhar. Menear e Emanar. Eis duas palavras da manhã para enfatizar o corpo com saúde e energia. Tal trabalho para mim é obtido com melhores resultados quando praticados pela manhã, ainda quando o sol está escondido atrás das colinas. Atrás das Montanhas. Atrás das Muralhas. Atrás de Prédios. Onde quer que esteja, não importando, você deve praticar seu Momento Cristal.




A qualidade de Cristal Frio: Eis a denominação que expresso para práticas meditativas de respiração, criatividade e memória. Como expressei no inicio da postagem, a serenidade da manhã que ainda beira a madrugada, guarda sensações e mensagens de bem estar e calmaria, tal como um lago em dias de inverno. O que há para ser feito é tão singelo e no olhar sincero sobre a natureza, é mágico. Sentada na varanda de pedras e terra, tenho vasos de plantas e velas aromáticas, tenho raios matinais que se achegam como tecidos finos de linho sobre a pele, uma melodia cantada por pássaros que ainda tímidos começam a festejar sobre o dia. Deixe as pálpebras relaxarem sem fricciona-las e também nada tenha de tensão nas mãos, inspire com uma contagem de cinco segundos para cada respiração. Devo ressaltar que essa é uma dica minha, não uma linha a ser seguida. Cada criatura se comunica com o Universo a sua maneira. Se você possui uma forma particular de se comunicar com as conexões da Terra, apenas a faça. Isso é o que importa.

Guardando as qualidades: {Em potes pequenos ou caixinhas} Recite mensagens ou frases de afirmação para consigo ou frases que lhe deixam feliz. Ou pense em lugares que lhe proporcionariam uma satisfação momentânea. Posicione suas mãos abaixo de algum feixe de luz ou onde a claridade está aberta. Abra as mãos como quem espera receber um presente, respire fundo e feche-as. Agora aspire com a ponta dos lábios em alguma brecha das mãos os raios de cristal que guardados tranquilos entre os dedos, serão depositados em algum lugar. Sopre-os aonde queira (...) em lugares secretos.

Memórias com cheiro de Terra



Aqui há um verão intenso com raios solares que atravessam meu corpo sem igual. Tenho conseguido absorver aquilo que o sol nos oferece de presente todos os dias, a energia. E nesta onda de calor nada melhor do que tentar amenizar o mesmo com lugares assombreados e riachos. Deixei meu diário encostado nas raízes de uma árvore muito bonita com suas folhagens que parecem rabiscos e cores com tonalidades suaves. Desatei as sandálias e fui caminhar na terra molhada e macia pela qual um pequeno riacho atravessa com toda a sua majestade de libélulas. Quando mais nova, lembro-me de ficar sentada em algum canto reservado, pensando em como eu poderia me unir com os elementos da natureza e do mundo. Ficava horas imaginando ser um bicho-pau. Ou uma criatura que habita os buracos nas árvores. Eu queria ser estrela, nuvens, mar, pássaros e flores. Eu queria ser qualquer coisa assim, menos uma pessoa. Ficar sentada distante observando as pessoas sempre foi meu prazer. Na minha mente visualizava-as em câmera lenta, observava cada gesto e cada movimento. Era quase uma festa.

Hoje nada é muito diferente de quando criança, pelo menos a respeito de querer ser outra coisa que não fosse uma pessoa. É estranho pensar sobre isso na minha atualidade. Meus dias são tão corridos e as vezes tão frio, que lembrar de momentos da infância aquece a alma. Meus passeios tem sido solitários, livres de tensões que a vida cotidiana nos trás. Andar sozinha entre caules robustos de árvores, relva branda em verdes-claro, brisas quase que despercebidas e uma vontade enorme de ser pássaro. Dias assim devem ser registrados nas folhas amareladas de um caderno, memorizados e transformados em meditação. Infelizmente não vivo no campo com o abraço da natureza, toda memória que eu possa ter são guardadas das mais variadas formas. As vezes para ter momentos de grandes contentamentos basta relembrar as belezas estéticas que vivemos e absorvemos. É tão prazeroso ter uma alma, carregada de cheiro de terra e grama.

"A maioria dos dentes de leão tinha mudado de sóis, de luas."




Todos os dentes de leão são mágicos.
Todos os mágicos leões
Em suas florestas densas
Abaixo de Sóis e Luas coloridas
Cantando sonhos...

Guardando memórias em flor


Em uma caixinha de madeira estão guardadas os pequenos segredos e coleções que encontrados perdidos e escondidos são eternizados na memória intrínseca da alma. São pedaços de galhos, pequenos frutos coloridos que tornam-se pigmentos para aquarelas, flores prensadas e folhas variadas. Porque guardar essas matérias tem um sentido único para quem as guarda. Lembranças e segredos, memórias e porque não pequenos contos que são contados através dessas? 

Colher flores, prensa-las e guarda-las para posteriores observações. Podemos vir a criar o que quiser com as memórias eternas impressas deixadas em livros ou em quadros. É de fato uma arte delicada e sensível. É como guardar as memórias de uma pétala ou de uma folha. Aquelas células que lá habitam secarão deixando-nos os registros secretos da natureza. E quanto ao expectador? Imaginem as magias que através das digitais das pequenas plantas eternizadas são transportadas para olhar do observador, a fim de transmitir as mais profundas e delicadas sensações.

Há uma nobre artista que faz isso com um romanticidade incrível, posso sentir todas as informações das quais ela depositou em sua expressão, contudo não é somente o registro maciço das informações de uma planta, mas uma poesia localizada nas expressões das linhas projetadas no âmago daquela matéria, que vem a tornar-se uma representação da memória da mesma. Sem contar no prazer sensorial que temos ao enxergar e enriquecer a percepção com tamanha delicadeza. Gosto de encontrar artistas que fazem das coisas simplórias as mais sublimes reflexões e transmitem sua excentricidade nos transportando ao seu olhar, tal como um sonho, Mercedes Baliarda é uma dessas criaturas que nos presenteia com essas profundas informações.

As Flores e suas fragilidades são consideradas uma das características definidoras de sua arte que tentam criar uma sensação inquietante de pungência e uma beleza frágil. Um trabalho exuberante e repleto de magia que nos transmite uma conexão de uma alma flor em uma dimensão lírica dos sentidos.

Através de ambos os reinos, para sempre...